Pare de ignorar a maior economia do mundo: aprenda a investir nos EUA via B3

05/02/2026

Por: Adriano Gadelha

Durante décadas, o mercado financeiro brasileiro olhou quase exclusivamente para dentro de casa. A Bolsa de Valores, os bancos, as empresas estatais e o setor de commodities sempre dominaram as carteiras dos investidores locais. Mas, enquanto isso, a maior economia do mundo — os Estados Unidos — continuava crescendo, inovando e criando gigantes globais que moldam o consumo e a tecnologia mundial.

Ignorar esse mercado não é apenas uma escolha conservadora: pode ser um erro estratégico. A boa notícia é que, hoje, o investidor brasileiro não precisa abrir conta no exterior para ter acesso a empresas como Apple, Microsoft, Amazon e Google. É possível investir nelas diretamente pela B3, usando instrumentos financeiros acessíveis, regulados e em reais.

Neste artigo, você vai entender por que faz sentido olhar para os EUA, quais são as formas de investir via B3 e como montar uma estratégia consciente para diversificar sua carteira.


Por que os Estados Unidos são tão relevantes para o investidor?

Os EUA concentram cerca de 25% do PIB mundial e mais de 60% do valor de mercado das bolsas globais. Além disso, são o berço das maiores empresas de tecnologia, saúde, entretenimento e consumo do planeta.

Outro ponto essencial é a força do dólar como moeda global. Em momentos de crise ou instabilidade, o capital internacional costuma migrar para ativos americanos, fortalecendo o mercado financeiro do país.

Isso cria dois efeitos importantes para o investidor brasileiro:

  1. Acesso a empresas líderes mundiais

  2. Proteção cambial contra desvalorização do real

Investir nos EUA não é apenas buscar rentabilidade, mas também reduzir riscos ao depender menos do desempenho exclusivo do Brasil.


Por que diversificar internacionalmente é fundamental?

Muitos investidores concentram 100% do patrimônio em ativos nacionais. Isso significa depender de:

  • Política fiscal brasileira

  • Inflação doméstica

  • Crises políticas locais

  • Oscilações do real

Ao incluir ativos atrelados ao mercado americano, o investidor cria uma camada de proteção contra eventos específicos do Brasil. Quando o mercado local vai mal, ativos internacionais podem se valorizar — especialmente se houver alta do dólar.

Diversificação não elimina riscos, mas reduz a chance de perdas concentradas.


Como investir nos EUA sem sair da B3?

Hoje, o investidor pode acessar o mercado americano por três caminhos principais dentro da própria B3:

1. BDRs (Brazilian Depositary Receipts)

BDRs são certificados negociados na Bolsa brasileira que representam ações de empresas estrangeiras.

Exemplos populares:

  • AAPL34 (Apple)

  • MSFT34 (Microsoft)

  • AMZO34 (Amazon)

  • TSLA34 (Tesla)

Ao comprar um BDR, você não compra a ação diretamente, mas um recibo lastreado nela. O preço reflete:

  • Cotação da ação no exterior

  • Variação do dólar

Vantagens:

  • Compra em reais

  • Plataforma brasileira

  • Sem necessidade de conta internacional

Desvantagens:

  • Liquidez menor que a ação original

  • Tributação semelhante à de ações no Brasil


2. ETFs internacionais listados na B3

ETFs são fundos negociados em bolsa que replicam índices estrangeiros.

Exemplos:

  • IVVB11 → replica o S&P 500

  • NASD11 → replica o Nasdaq

  • SPXI11 → S&P 500 com proteção cambial

  • WRLD11 → índice global

Esses ETFs permitem investir em centenas de empresas ao mesmo tempo, com uma única compra.

Vantagens:

  • Diversificação automática

  • Baixo custo

  • Ideal para longo prazo

Desvantagens:

  • Não escolhe empresas individuais

  • Tributação sem isenção em vendas mensais


3. Fundos de investimento internacionais

Alguns fundos brasileiros aplicam parte ou todo o patrimônio em ativos no exterior.

Vantagens:

  • Gestão profissional

  • Simplicidade para quem não quer operar em bolsa

Desvantagens:

  • Taxas maiores

  • Menor controle sobre os ativos

  • Menor transparência que ETFs


Vale a pena investir direto nos EUA ou via B3?

Ambas as opções são válidas, mas investir via B3 tem vantagens práticas:

  • Sem envio de dinheiro para fora

  • Declaração mais simples

  • Regulação brasileira

  • Menor barreira psicológica

Para quem está começando, a B3 é um caminho natural. Investir direto nos EUA pode fazer sentido para quem quer acesso a mais ativos, opções e estratégias avançadas, mas não é obrigatório para ter exposição internacional.


Tributação: o que você precisa saber

BDRs:

  • Seguem regras semelhantes às ações brasileiras

  • Lucro tributado em 15% (swing trade)

  • Sem isenção para vendas abaixo de R$ 20 mil

  • Dividendos já chegam líquidos, após imposto no exterior

ETFs internacionais:

  • Ganho de capital tributado em 15%

  • Não há isenção

  • Dividendos já vêm embutidos no valor da cota

Fundos:

  • Tributação depende do tipo de fundo

  • Normalmente seguem tabela regressiva ou come-cotas

É fundamental controlar as operações e registrar corretamente no Imposto de Renda.


Como montar uma estratégia prática

Uma estratégia simples para quem quer começar pode ser:

  • 60% Brasil

  • 30% EUA

  • 10% outros mercados

Dentro da parcela internacional:

  • Parte em ETF (IVVB11 ou NASD11)

  • Parte em BDRs de empresas líderes

Exemplo:

  • IVVB11 para exposição ampla

  • AAPL34 e MSFT34 para foco em tecnologia

Isso cria equilíbrio entre diversificação e potencial de crescimento.


Riscos de investir nos EUA via B3

Nenhum investimento é livre de risco. Os principais são:

  • Risco cambial: o dólar pode cair

  • Risco de mercado: ações podem cair globalmente

  • Risco de liquidez: alguns BDRs negociam pouco

  • Risco regulatório: regras podem mudar

Por isso, o ideal é investir com visão de médio e longo prazo, evitando especulação de curto prazo em ativos internacionais.


Ignorar os EUA é perder oportunidades

As maiores tendências globais nascem ou se consolidam nos Estados Unidos:

  • Inteligência artificial

  • Biotecnologia

  • Big techs

  • Indústria de defesa

  • Mercado financeiro global

Ao não investir nesse mercado, o investidor brasileiro se limita a um universo menor, mais volátil e mais dependente de fatores internos.

Hoje, com BDRs e ETFs listados na B3, não há mais desculpa técnica para ficar fora.


Conclusão: pense global, invista localmente

O mundo financeiro é cada vez mais interligado. Empresas americanas vendem no Brasil, produzem na Ásia e lucram na Europa. Limitar sua carteira a um único país é assumir riscos desnecessários.

Investir nos EUA via B3 é:

  • Simples

  • Regulamentado

  • Acessível

  • Estratégico

Se você quer proteger seu patrimônio, aumentar suas chances de retorno e acompanhar as principais tendências do planeta, chegou a hora de parar de ignorar a maior economia do mundo.

Pensar globalmente deixou de ser luxo — virou necessidade.

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