Selic fecha o ano em 15%: o que esperar da economia brasileira em 2026

11/12/2025

Por: Adriano Gadelha

A taxa Selic encerrou 2025 em 15% ao ano, um dos níveis mais altos dos últimos tempos, reacendendo debates sobre crescimento, inflação, crédito e investimentos para 2026. Após um ciclo agressivo de alta para conter pressões inflacionárias persistentes, o país entra no novo ano com uma série de desafios econômicos — mas também com oportunidades importantes para investidores, empresas e consumidores atentos ao cenário.

Neste post, você vai entender por que a Selic chegou a esse nível, quais impactos já estão sendo sentidos e o que esperar da economia brasileira ao longo de 2026.


Por que a Selic terminou 2025 em 15%?

A decisão do Banco Central de encerrar o ano com a Selic em 15% está diretamente ligada a três fatores principais:

1. Pressão inflacionária prolongada

Mesmo após desaceleração moderada no início de 2025, os preços voltaram a subir na segunda metade do ano, puxados por:

  • alimentos;

  • combustíveis;

  • energia elétrica;

  • serviços indexados.

O BC precisou manter juros elevados para garantir a convergência da inflação à meta em 2026.

2. Deterioração fiscal

Discussões sobre aumento de gastos, menor crescimento da arrecadação e incertezas sobre reformas estruturais pressionaram os prêmios de risco. Com isso, o Banco Central adotou uma postura mais conservadora.

3. Ambiente internacional adverso

Nos EUA e na Europa, a inflação resiliente manteve os juros globais altos, reduzindo o apetite por risco e afetando países emergentes como o Brasil.

Somado a isso, a volatilidade cambial e o aumento dos custos de crédito ajudaram a sustentar a Selic em patamares elevados.

Como chegamos a 2026: impacto imediato da Selic em 15%

Com a Selic elevada, o país entra em 2026 com características bem marcantes no ambiente econômico. Entre os principais efeitos, destacam-se:

1. Crédito caro e seletivo

Empréstimos para empresas e consumidores continuam caros, reduzindo:

  • consumo de bens duráveis,

  • investimentos empresariais,

  • contratação de financiamentos imobiliários.

A inadimplência, embora sob controle, segue pressionada.

2. Crescimento econômico limitado

O PIB de 2025 fechou em ritmo fraco, e grande parte dos analistas já projeta um 2026 desafiador — com crescimento modesto, porém mais equilibrado caso a inflação ceda.

3. Renda fixa em destaque

O ambiente continua favorável para:

  • títulos pós-fixados (Tesouro Selic);

  • CDBs e LCIs/LCAs de bancos médios;

  • Debêntures incentivadas com taxas atrativas.

O investidor conservador atravessa um dos melhores ciclos de rentabilidade dos últimos anos.

4. Bolsa pressionada

O Ibovespa enfrentou volatilidade ao longo de 2025. Com juros altos e consumo fraco, empresas dos setores:

  • varejo,

  • construção,

  • tecnologia,

  • serviços,

foram penalizadas.

A expectativa para 2026 depende diretamente de quando começará o ciclo de cortes da Selic.

O que esperar da economia brasileira em 2026

A seguir, veja os principais vetores que devem guiar o comportamento da economia ao longo do ano:

1. Inflação deve iniciar trajetória de queda

Com a Selic mantida em patamar contracionista por tanto tempo, o cenário mais provável para 2026 é uma inflação cedendo gradualmente.

Os fatores que favorecem essa queda incluem:

  • desaceleração do consumo;

  • câmbio mais estável;

  • redução dos choques globais de energia e alimentos;

  • menor pressão sobre preços administrados.

Se a inflação convergir conforme esperado, abre-se espaço para redução dos juros na segunda metade de 2026.

2. Possível início do ciclo de cortes da Selic

Com o IPCA mais controlado e as expectativas ancorando, o BC pode iniciar um ciclo gradual de redução da Selic.

Não se espera um movimento agressivo — será lento, cauteloso e dependente de dados.

Um corte inicial de 0,25 p.p. a 0,50 p.p. é o cenário-base de muitos analistas para o segundo semestre de 2026.

Para o investidor, isso representa uma janela:

  • de transição da renda fixa para ativos de risco, e

  • de valorização potencial da Bolsa, especialmente setores sensíveis aos juros.

3. Mercado de trabalho relativamente estável

Mesmo com crescimento fraco, o mercado de trabalho mostrou alguma resiliência em 2025. Para 2026:

  • a geração de empregos deve desacelerar;

  • mas o desemprego não deve subir de forma significativa.

O salário real pode melhorar com inflação menor, dando algum impulso ao consumo no segundo semestre.

4. Câmbio menos pressionado, porém volátil

A combinação de:

  • juros domésticos altos e

  • possível queda dos juros globais,

pode beneficiar o real em 2026.

No entanto, a volatilidade permanece presente por causa de incertezas:

  • fiscais,

  • políticas,

  • e externas (especialmente ligadas aos EUA e China).

A moeda deve oscilar ao longo do ano, mas a tendência é de menor pressão se o arcabouço fiscal for respeitado.

5. Crédito deve começar a melhorar após o meio do ano

Com a expectativa de início dos cortes na Selic, bancos podem:

  • melhorar condições de financiamento,

  • alongar prazos,

  • reduzir spreads.

Isso tende a beneficiar:

  • consumo,

  • varejo,

  • construção civil,

  • mercado imobiliário.

Contudo, a melhora será lenta e concentrada na segunda metade do ano.

6. A Bolsa pode recuperar parte das perdas

A renda variável deve ganhar força caso:

  • inflação siga caindo,

  • Selic comece a recuar,

  • e expectativas fiscais melhorem.

Setores que podem se destacar em 2026:

  • varejo e consumo;

  • construção civil;

  • educação;

  • tecnologia;

  • bancos (que se beneficiam da melhora na inadimplência);

  • energia e utilities (pela previsibilidade e dividendos).

Investidores mais agressivos podem aproveitar momentos de volatilidade para montar posições estratégicas a preços descontados.

7. Renda fixa segue como protagonista no 1º semestre

Mesmo com expectativa de cortes, a Selic deve permanecer elevada por tempo suficiente para manter a renda fixa como destaque no início de 2026.

Oportunidades:

  • Pós-fixados continuam atrativos enquanto a Selic estiver alta.

  • Títulos prefixados e IPCA+ podem capturar valorização antecipada se o mercado enxergar corte de juros à vista.

A diversificação será essencial para atravessar o ano de forma eficiente.

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