Renda Fixa em Alta: 15 Investimentos Isentos de IR com Taxas de Até IPCA+10,96%

08/09/2026

Por: Adriano Gadelha

Com a Selic ainda em patamar elevado, investimentos isentos de Imposto de Renda voltam a ganhar destaque. Veja como funcionam os títulos e quais oportunidades aparecem no mercado em setembro de 2026.

A renda fixa continua ocupando posição de destaque na carteira dos investidores brasileiros. Mesmo depois do início do ciclo de redução dos juros, a Selic permanece em um nível elevado, mantendo a renda fixa competitiva em relação a outras alternativas de investimento.

Nesse cenário, os investimentos que oferecem isenção de Imposto de Renda para pessoa física chamam ainda mais atenção. Isso acontece porque a rentabilidade divulgada é, em muitos casos, líquida de IR, o que pode fazer com que um título aparentemente menos rentável entregue um resultado superior ao de uma aplicação tributada.

Entre as oportunidades disponíveis em setembro, há investimentos com remuneração que chega a IPCA+10,96% ao ano, além de alternativas que pagam um percentual do CDI. A seleção divulgada pela InfoMoney, com base em recomendações da XP e do Itaú BBA, reúne 15 papéis com diferentes níveis de risco e prazos.

Mas existe um ponto fundamental: não basta olhar para a taxa oferecida.

Antes de investir, é necessário avaliar o emissor, o risco de crédito, o prazo, a liquidez e, principalmente, se o investimento possui ou não cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Por que os investimentos isentos de IR estão atraindo atenção?

A principal vantagem desses produtos está justamente na tributação.

Em investimentos tradicionais de renda fixa, como CDBs e determinados títulos tributados, os rendimentos sofrem incidência de Imposto de Renda conforme o prazo da aplicação. Para aplicações de renda fixa em geral, a tabela regressiva vai de 22,5% para investimentos de até 180 dias a 15% para aplicações acima de 720 dias.

Já determinados produtos destinados ao financiamento dos setores imobiliário, agrícola e de infraestrutura possuem tratamento tributário diferenciado.

A Receita Federal lista, entre os rendimentos isentos, aplicações como LCI, LCA, CRI e CRA, além de outros títulos que atendem aos requisitos legais, incluindo determinadas debêntures de infraestrutura.

Na prática, isso significa que uma taxa menor pode ser mais interessante quando comparada a um investimento tributado.

Um exemplo simples

Imagine dois investimentos:

  • CDB pagando 15% ao ano;
  • título isento pagando 13% ao ano.

À primeira vista, o CDB parece melhor.

Mas, se o CDB estiver sujeito à alíquota de 15% de IR, sua rentabilidade líquida seria de aproximadamente 12,75% ao ano.

Nesse exemplo simplificado, o investimento isento de 13% poderia entregar uma rentabilidade líquida superior.

É por isso que o investidor não deve comparar apenas as taxas nominais.

A comparação correta deve ser feita pelo retorno líquido, considerando tributação, prazo, risco e liquidez.

15 investimentos isentos em destaque em setembro

A seleção divulgada recentemente reúne 15 papéis recomendados por XP e Itaú BBA.

São oito CRIs, cinco debêntures incentivadas, uma CPR e uma LCI, com vencimentos distribuídos entre setembro de 2027 e fevereiro de 2038. As remunerações variam de 86% do CDI até IPCA+10,96%.

Essa diferença de rentabilidade também revela uma característica importante da renda fixa: quanto maior o retorno potencial, maior tende a ser o risco assumido pelo investidor.

Uma aplicação que paga IPCA+10,96%, por exemplo, não deve ser automaticamente considerada melhor do que uma alternativa mais conservadora.

A taxa elevada pode refletir justamente um risco de crédito maior, prazo mais longo ou menor liquidez.

1. LCI: uma alternativa mais conservadora

A Letra de Crédito Imobiliário, conhecida como LCI, é um dos produtos mais conhecidos entre os investimentos isentos de IR para pessoa física.

Sua remuneração normalmente está vinculada ao CDI ou pode ser prefixada.

Um dos principais diferenciais da LCI é a existência de cobertura do FGC, observados os limites e condições estabelecidos pelo fundo.

Atualmente, a cobertura ordinária do FGC é de até R$ 250 mil por CPF e por instituição ou conglomerado financeiro, respeitados os demais limites aplicáveis.

Isso faz com que LCIs emitidas por instituições financeiras sejam uma alternativa interessante para investidores que buscam combinar rentabilidade, benefício tributário e uma camada adicional de proteção.

Entretanto, é importante lembrar que a cobertura do FGC não significa que qualquer valor investido estará protegido. O investidor precisa observar os limites antes de concentrar grandes quantias em uma única instituição.

2. CRIs: potencial de retorno maior, mas sem FGC

Os Certificados de Recebíveis Imobiliários, os CRIs, aparecem em grande quantidade na seleção de setembro.

Esses títulos estão relacionados a recebíveis do setor imobiliário e podem oferecer remunerações bastante superiores às encontradas em produtos bancários tradicionais.

O benefício tributário é um dos principais atrativos.

Por outro lado, existe uma diferença fundamental em relação à LCI:

CRIs não contam com a garantia ordinária do FGC.

Isso significa que o investidor precisa analisar com muito mais cuidado a estrutura da operação, os recebíveis que servem de lastro, os devedores envolvidos e os mecanismos de proteção existentes.

Uma taxa elevada não deve ser interpretada como dinheiro fácil.

Ela pode representar uma compensação pelo risco adicional.

3. Debêntures incentivadas

As debêntures incentivadas também aparecem entre as oportunidades destacadas.

São títulos emitidos por empresas para financiar projetos de infraestrutura considerados relevantes dentro da legislação.

Para o investidor pessoa física, determinadas emissões podem oferecer benefício fiscal, tornando a rentabilidade líquida bastante competitiva.

Além disso, algumas debêntures podem oferecer remuneração atrelada ao IPCA.

É justamente nesse grupo que podem aparecer taxas como IPCA+10% ou mais, dependendo do emissor e das condições da emissão.

Mas novamente existe uma regra de ouro:

rentabilidade elevada exige análise de risco.

As debêntures não possuem a cobertura do FGC. Portanto, o investidor está sujeito ao risco de crédito da empresa emissora.

4. CPR e exposição ao agronegócio

Outro produto presente na seleção é a CPR, ou Cédula de Produto Rural.

O instrumento está relacionado ao financiamento da atividade agropecuária.

Dependendo da estrutura, pode proporcionar remuneração competitiva e também tratamento tributário diferenciado.

Entretanto, assim como acontece com outros títulos de crédito privado, o investidor precisa compreender exatamente quem é o emissor, qual é a garantia oferecida e quais são as condições do investimento.

IPCA+10,96%: por que uma taxa tão alta chama atenção?

Uma remuneração de IPCA+10,96% é bastante expressiva.

Isso significa, em termos simplificados, uma remuneração correspondente à variação da inflação medida pelo IPCA acrescida de 10,96% ao ano, caso o título seja mantido conforme as condições previstas.

Para quem deseja proteger o poder de compra no longo prazo, investimentos indexados à inflação podem ser interessantes.

Mas existe uma armadilha comum: olhar apenas para o número depois do sinal de “+”.

Uma taxa de IPCA+10,96% pode parecer extraordinária, mas o investidor precisa perguntar:

  • Quem está emitindo o título?
  • Qual é o prazo?
  • Existe garantia?
  • Qual é a liquidez?
  • Há possibilidade de venda antecipada?
  • Quais são as garantias da operação?
  • Qual é o risco de crédito?
  • O retorno compensa esse risco?

Quanto maior o prazo e o risco de crédito, maior deve ser o cuidado na análise.

Selic de 14% mantém a renda fixa competitiva

O cenário atual continua favorável para a renda fixa.

O Copom reduziu a Selic para 14% ao ano em agosto, e o mercado passou a trabalhar com a possibilidade de novos cortes ainda em 2026. Mesmo assim, o nível dos juros continua elevado.

Isso cria uma situação interessante para o investidor.

De um lado, aplicações pós-fixadas continuam oferecendo retornos relevantes.

De outro, títulos prefixados e atrelados à inflação podem permitir ao investidor travar taxas elevadas por períodos mais longos, dependendo do produto.

É nesse ambiente que os títulos isentos ganham ainda mais importância.

Vale a pena trocar um CDB por um investimento isento?

Não necessariamente.

A decisão depende da comparação entre rentabilidade líquida e risco.

Um CDB de uma instituição financeira sólida, por exemplo, pode apresentar uma taxa inferior à de uma debênture incentivada.

Isso não significa que a debênture seja automaticamente melhor.

O CDB pode ter cobertura do FGC, enquanto a debênture não possui essa proteção.

Por isso, a comparação deve considerar pelo menos quatro fatores:

1. Rentabilidade líquida: quanto efetivamente sobrará depois dos impostos.

2. Risco de crédito: possibilidade de o emissor não honrar os pagamentos.

3. Liquidez: facilidade para transformar o investimento em dinheiro.

4. Prazo: período durante o qual o dinheiro ficará comprometido.

Somente depois dessa análise é possível determinar qual alternativa é mais adequada.

Diversificação é fundamental

Um dos maiores erros cometidos por investidores em renda fixa é acreditar que todos os investimentos são igualmente seguros.

Não são.

Renda fixa não significa ausência de risco.

Existem riscos de crédito, mercado, liquidez, inflação e, em alguns casos, risco relacionado à estrutura do próprio investimento.

Por isso, mesmo para quem possui perfil conservador, pode ser interessante diversificar entre diferentes emissores e tipos de ativos.

Uma carteira pode combinar, por exemplo:

  • Tesouro Direto;
  • CDBs;
  • LCIs e LCAs;
  • títulos públicos indexados à inflação;
  • debêntures incentivadas;
  • CRIs e CRAs, para investidores que aceitam mais risco.

A proporção de cada classe dependerá dos objetivos, do prazo e do perfil do investidor.

O cuidado com o FGC

O Fundo Garantidor de Créditos é um importante mecanismo de proteção do sistema financeiro, mas não deve ser utilizado como justificativa para ignorar os limites de cobertura.

LCIs e outros produtos elegíveis podem contar com a proteção do FGC dentro das regras estabelecidas.

Já CRIs, CRAs e debêntures não devem ser tratados como se possuíssem a mesma proteção.

Essa diferença é fundamental.

Imagine dois títulos:

  • Título A: 90% do CDI com cobertura do FGC;
  • Título B: 110% do CDI sem FGC.

O segundo oferece uma taxa maior, mas também exige uma análise de crédito mais cuidadosa.

Portanto, não existe almoço grátis no mercado financeiro.

A rentabilidade adicional geralmente vem acompanhada de algum tipo de risco adicional.

O investidor deve correr para aproveitar as taxas?

Não.

Taxas elevadas podem ser interessantes, mas decisões de investimento não devem ser tomadas pela pressão de perder uma oportunidade.

O cenário de juros pode mudar rapidamente.

Além disso, as taxas de mercado variam diariamente conforme as condições econômicas, expectativas para a Selic, inflação, risco fiscal e percepção de risco dos emissores.

A melhor estratégia é identificar oportunidades compatíveis com seus objetivos e analisar cuidadosamente cada emissão.

Como escolher entre os 15 investimentos?

Uma maneira prática de começar é separar os investimentos em três grupos.

Perfil conservador

Priorize produtos com menor risco de crédito e, quando aplicável, cobertura do FGC.

LCIs podem fazer sentido para essa parcela da carteira, desde que a rentabilidade seja competitiva e o prazo esteja de acordo com seus objetivos.

Perfil moderado

Pode haver espaço para diversificação entre produtos bancários e títulos de crédito privado de emissores considerados sólidos.

Debêntures incentivadas podem ser analisadas principalmente quando apresentam boas garantias, empresas financeiramente robustas e remuneração compatível com o risco.

Perfil arrojado

Investidores que aceitam maior risco podem avaliar CRIs e outras estruturas de crédito privado com remunerações mais elevadas.

Mas mesmo nesse caso, não é recomendável concentrar uma parcela excessiva do patrimônio em um único emissor ou operação.

Uma taxa de 10,96% acima da inflação é suficiente?

Não.

Essa é uma das principais lições que o investidor precisa guardar.

Uma rentabilidade de IPCA+10,96% é atraente no papel, mas a decisão não pode ser baseada exclusivamente na taxa.

É necessário verificar se a remuneração está adequada ao risco assumido.

Se dois investimentos apresentam rentabilidades semelhantes, mas um possui melhor qualidade de crédito, maior liquidez e estrutura de garantias mais robusta, ele pode ser mais interessante mesmo que a taxa seja ligeiramente menor.

O melhor investimento não é necessariamente aquele que paga mais. É aquele que oferece a melhor relação entre retorno, risco, prazo e liquidez para o seu objetivo.

Conclusão: renda fixa continua oferecendo oportunidades

O cenário de setembro de 2026 mostra que a renda fixa continua sendo uma importante alternativa para o investidor brasileiro.

Com a Selic ainda em 14% ao ano, mesmo após o início do ciclo de cortes, os juros permanecem elevados e ajudam a manter a atratividade dos investimentos de renda fixa.

Nesse contexto, os investimentos isentos de Imposto de Renda ganham uma vantagem adicional: a possibilidade de obter uma rentabilidade líquida competitiva sem a incidência do imposto sobre os rendimentos, quando a aplicação se enquadra nas regras de isenção.

A seleção de 15 papéis divulgada para setembro inclui alternativas com remunerações que vão de 86% do CDI a IPCA+10,96%, passando por CRIs, debêntures incentivadas, CPR e LCI.

Mas o investidor precisa evitar a armadilha de escolher simplesmente a maior taxa.

IPCA+10,96% pode ser muito interessante, mas também pode representar um risco significativamente maior.

Antes de investir, analise o emissor, as garantias, o prazo, a liquidez, o risco de crédito e a concentração da sua carteira.

A renda fixa pode ser uma excelente ferramenta para construir patrimônio, gerar previsibilidade e proteger o poder de compra. Entretanto, segurança financeira não vem apenas da escolha de um título com boa rentabilidade.

Ela vem principalmente de uma carteira diversificada, adequada ao seu perfil e alinhada aos seus objetivos de longo prazo.

Importante: as taxas mencionadas neste artigo são referências da seleção divulgada em setembro de 2026 e podem mudar conforme novas emissões e condições de mercado. Rentabilidade passada ou uma taxa contratada não elimina riscos. Antes de investir, leia a documentação da oferta e avalie se o produto é adequado ao seu perfil.

Mais lidas

Deixe um comentário